sexta-feira, 20 de maio de 2016

A hora para o início do Sábado

Este material é a tradução de um artigo escrito por J.N. Andrews, publicado na revista adventista, Review and Herald no dia 04 de dezembro de 1855. Nesta ocasião, Andrews foi escolhido para estudar o tema sobre quando o sábado começava e então apresentar um estudo bíblico daquilo que o Senhor Deus o havia mostrado. A razão deste estudo, foi por conta de muitos naquela época acreditarem que o sábado discorria das 18:00 de um dia, até as 18:00 do outro dia, outros guardavam de meia-noite a meia-noite e outros ainda guardavam apenas a parte clara do dia de sábado.

Segue abaixo o estudo traduzido com fidelidade do original:

A Hora Para o Início do Sábado

Por: J. N. Andrews

Para determinar essa questão, é evidente que muito peso deve ser atrelado à maneira na qual o criador regulou o começo do dia na criação. Pelo mesmo tempo no qual o primeiro dia começou, também deve ele terminar, e onde o primeiro dia começou e acabou, deve ser assim também com o segundo, terceiro, quarto, quinto, sexto e sétimo dia. E onde os dias da primeira semana começaram e terminaram, assim também os dias de todas as semanas subsequentes começam e terminam. Dessa forma, a importância de se determinar, o mais perto possível, o tempo no qual o dia começou na semana da criação.

Como devemos entender a palavra “dia” no primeiro capítulo de Gênesis? Eu respondo que ela é usada com dois significados. Primeiro, é usada por Deus para dar nome à luz, em distinção das trevas, que foi chamada noite. Em outras palavras, ela é aplicada à parte de 24 horas que é luz. Segundo, é usada para nomear a sétima parte da semana, ou o período inteiro de 24 horas. O verso 5 de Gênesis apresenta exemplos onde ela é usada em cada um desses sentidos. “E Deus chamou à luz dia e às trevas Ele chamou noite: e a tarde e a manhã o primeiro dia”. É com a segunda definição no

uso da palavra dia que estamos agora interessados. Mas aqui alguns irão se opor a nós negando que a palavra dia seja usada para designar um período de 24 horas, ou, em outras palavras, que a noite está sempre nas Escrituras incluída no dia. É apropriado que esse ponto seja brevemente observado. É dito em Êxodo 20:11 que “em seis dias fez o Senhor o céu e a terra”. Isso estabelece o fato de que os seis dias começam com o ato da criação, ou, para usar uma expressão diferente, o primeiro dia da semana começou com o ato de Deus em formar o Ceú e a terra. Havia profunda escuridão até depois que o Espírito de Deus se moveu sobre as águas. O próximo ato do Senhor foi a criação da luz. Então, tendo dividido a luz das trevas, Ele designou a luz como dia e as trevas como noite. Isso demonstra que a noite foi a primeira divisão do primeiro dia e, consequentemente, se a ordem divina fosse seguida, a primeira divisão de todos os dias seguintes.

Para que a força desse argumento apareça, apresentamos os primeiros cinco versos de Gênesis:

“No princípio criou Deus os Céus e a terra. E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sob a face do abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre as águas. E disse Deus: Haja luz. E houve luz. E viu Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi a tarde a manhã o dia primeiro.”

O Dr. Olarke, em sua nota sobre Mateus 28:1, afirma que, em hebraico, a mesma palavra significa tanto tardecomo noite. Ele cita Gênesis 1:5 como um exemplo para o seu uso nessa forma. Assim, parece que a expressão “E foi a tarde e a manhã o dia primeiro” é o mesmo como se dissesse “a noite e a manhã o dia primeiro”. Isso é um fato muito importante, pois prova claramente que a noite é computada, não apenas como uma parte do dia de 24 horas, mas como uma forma da sua divisão. Lebremo-nos que a palavra aqui usada para dia significa um dos sete períodos que perfazem a semana. É digno de nota que cada um dos dias sobre os quais Deus trabalhou na criação é representado como constituído da mesma grande divisão como a do primeiro dia.

No verso 8 temos: “E chamou Deus à expansão Céus. E foi a tarde e a manhã o dia segundo.”

No verso 13 temos: “E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro.”

No verso 19 temos: “E foi a tarde e a manhã, o dia quarto.”

No verso 23: “E foi a tarde e a manhã, o dia quinto.”

No verso 31: “E viu Deus tudo quanto fizera, e eis que era muito bom. E foi a tarde e a manhã, o dia sexto.”

Também deve ser notado que mesmo os 2300 dias são assim constituídos. Eles são 2300 dias literais, simbolizados em 2300 anos. A nota de rodapé, a qual dá a palavra hebraica original, chama cada um desses dias “noite manhã”.

A lei de Moisés é um testemunho direto sobre um ponto que está diante de nós. Ou em vez disso, poderia se dizer para determinar de uma forma autoritária, o fato de que a noite é uma parte do dia, e que o dia começa com a noite. Leviticos 23:32. “Sábado de descanso vos será, e afligireis as vossas almas; desde a tardinha do dia nono do mês até a outra tarde, guardareis o vosso sábado.” Este texto define o décimo dia do sétimo mês, e assim fazendo, também define os outros dias do mês, e como consequência, todos os outros meses. O texto nos diz que o dia décimo dia começa com a noite, no fechamento do nono dia, e ele (o nono dia) se extende até o próximo pôr-do-sol. Ninguém pode anular este testemunho. De acordo com esse fato, lemos que os judeus, na tarde do dia da preparação, quiseram que fossem quabradas as pernas dos que estavam crucificados, a fim de que eles não permanecessem sobre a cruz no sábado. João 19:31. E também que quando Jesus foi tirado da cruz, no tarde daquele dia, “o sábado se aproximava”. Lucas 23:54. Diz-se também em João 19:41 e 42: “ No lugar onde Jesus foi crucificado havia um jardim, e nesse jardim um sepulcro novo, em que ninguém ainda havia sido posto. Ali, pois, por ser a véspera do sábado dos judeus, e por estar perto aquele sepulcro, puseram a Jesus.” A idéia é, evidentemente, que eles enterraram nosso Senhor num sepulcro que estava ao alcance da mão, a fim de que pudessem terminar Seu sepultamento no dia da preparação e antes do início do sábado.

Além do exposto, não deve ser impróprio apresentar vários exemplos em que a noite é contada como uma parte do dia, ou como incluída no dia. Chamamos a atenção para o seguinte: 1 Samuel 26:7, 8. “Foram, pois, Davi e Abisai de noite ao povo; e eis que Saul estava deitado, dormindo dentro do acampamento, e a sua lança estava pregada na terra à sua cabeceira; e Abner e o povo estavam deitados ao redor dele. Então disse Abisai a Davi: Deus te entregou hoje nas mãos o teu inimigo; deixa-me, pois, agora encravá-lo na terra, com a lança, de um só golpe; não o ferirei segunda vez.” Aqui a noite é certamente incluída no dia. O mesmo fato irá aparecer em Êxodo 12:41 e42. ” E aconteceu que, ao fim de quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia, todos os exércitos do Senhor saíram da terra do Egito. Esta é uma noite que se deve guardar ao Senhor, porque os tirou da terra do Egito; esta é a noite do Senhor, que deve ser guardada por todos os filhos de Israel através das suas gerações.” Apresentamos também as palavras do anjo, endereçadas aos pastores de Belém, em Lucas 2:8-11: “Ora, havia naquela mesma região pastores que estavam no campo, e guardavam durante as vigílias da noite o seu rebanho. E um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor os cercou de resplendor; pelo que se encheram de grande temor. O anjo, porém, lhes disse: Não temais, porquanto vos trago novas de grande alegria que o será para todo o povo: É que vos nasceu hoje, na cidade de Davi, o Salvador, que é Cristo, o Senhor.” Nessas palavras o anjo certamente reconhece a noite como parte do dia. Por fim, apresentamos as palavras do Senhor Jesus, em Marcos 14:30. “Replicou-lhe Jesus: Em verdade te digo que hoje, nesta noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes tu me negarás.” Também em Lucas 22:34: “Tornou-lhe Jesus: Digo-te, Pedro, que não cantará hoje o galo antes que três vezes tenhas negado que me conheces.” Com essas palavras de nosso Senhor, o argumento de que os dias da semana começam com a noite e que neles estão incluídas as 24 horas, pode agora ser apropriadamente encerrado. Permanece ainda a ser observadas uma ou duas objeções para as quais já têm sido apresentadas provas.

Tem sido contestado que o dia, de acordo com Mateus 28:1, começa ao amanhecer. Ele diz o seguinte: “No fim do sábado, quando já despontava o primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.” Mas uma inferência extraída deste texto não pode ser suficiente para destruir o testemunho direto já apresentado – que o dia começa com a noite. Mas voltando-se para João 20:1, veremos que essa inferência é inadmissível:

“No primeiro dia da semana Maria Madalena foi ao sepulcro de madrugada, sendo ainda escuro, e viu que a pedra fora removida do sepulcro.” Esse texto declara plenamente que aqueles que

foram ao sepulcro “quando ainda estava escuro”, vieram no primeiro dia da semana. Esta é uma evidência direta de que o primeiro dia da semana inclui pelo menos uma parte da noite que segue o sábado. A nota do Dr. Clarke sobre Mateus 28:1 contém as seguintes palavras:

[No final do sábado] Opse de sabbaton. Depois do final da semana – essa é a tradução dada por vários eminentes críticos, e desta forma a palavra opse é usada por eminentes escritores gregos. Mateus, portanto, afirma que as mulheres vieram ao sepulcro depois do sábado, cedo, no primeiro dia da semna.

A criação do sol, no início do quarto dia é presumida para provar que o dia deve começar com o nascer do sol, ou como outros supõem, ao meio-dia.

Citamos as palavras de Moisés em Gênesis 1:14-18. “E disse Deus: Haja luminares no firmamento do céu, para separar o dia da noite; sejam eles para sinais, e para estações, e para dias e anos, e que sejam para luminares no firmamento do céu, para alumiar a terra, e assim foi. E fez Deus os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o menor de luz para governar a noite: ele fez também as estrelas. E Deus os pôs no firmamento do céu para alumiar a terra, para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas. E viu Deus que isso era bom.”

Aqueles que argumentam assim, afirmam que na criação, o sol deveria estar justamente nascendo, ou como dizem outros, deveria ser primeiramente visto no meio do céu. Mas esse tipo de raciocínio é falacioso. No momento em que o sol apareceu pela primeira vez nos céus, no ponto mais ao leste em que ele poderia ser visto, ele apareceria justamente no ato do seu ocaso. Num ponto mais a oeste, o sol apareceria no meio do Céu, enquanto que no extremo oeste em que pudesse ser visto, ele estaria apenas se elevando acima do horizonte. Portanto, não é irrazoável concluir que naquele lugar no Oriente (talvez o Jardim do Éden), onde o dia começa o circuito do globo, o sol, por ocasião da sua criação, estava no seu ocaso (pôr-do-sol). Isso nos dá uma visão harmoniosa da obra do Criador. Começava a cada dia com a noite, e como desse modo começou no quarto dia, o sol quando primeiramente visto, estava se pondo. E, continuando seu curso em direção ao oeste, levou consigo o pôr-do-sol em volta do globo. E esta visão de que o dia começa no Oriente e viaja ao redor do mundo é de grande importância. Ela tira a objeção de que não podemos guardar o sábado a menos que vivamos na Palestina, pois guardamos o dia como ele chega até nós, e como o sábado faz o circuito do globo, toda a família humana tem o privilégio de observar o dia de descanso do Criador.

Acreditamos que o testemunho das Escrituras dá provas suficientes para estabelecer o fato de que o dia começa com o pôr-do-sol. A próxima inquirição, portanto, apropriadamente se relaciona com o começo da noite. Qual é o testemunho da Bíblia sobre isso? Moisés define assim o início da noite, em Deuteronômio 16:6. “Mas no lugar que o Senhor teu Deus escolher para ali fazer habitar o Seu nome; ali sacrificarás a páscoa à tarde, ao pôr-do-sol, ao tempo determinado da tua saída do Egito.” Esse texto parece assentar a questão de que a noite é ao pôr-do-sol. Mas Êxodo 12:6 poderia ser alegado como uma modificação do texto citado: “E o guardareis até o décimo-quarto dia deste mês; e toda a assembleia da congregação de Israel o matará à tardinha.” Na nota de rodapé está escrito “entre as duas tardes”. Essa nota remete ao hebraico literal, e é portanto digna de respeito. É dito que “entre as duas tardes” significa às 3 da tarde. Se isso está correto, mostra que o pôr-do-sol, em Deuteronômio 16:6, é uma expressão indefinida. Mas Gascnius, em seu Léxico Hebraico, diz que entre as duas noites, de acordo a opinião melhor aceita, era o intervalo entre o pôr-do-sol e a noite. Se Isso está correto – e certamente não há uma mais alta autoridade não inspirada como Gescnius – remove a aparente contradição entre Êx. 12 e Dt. 16, e mostra que ambos concordam sobre o pôr-do-sol. Greenfield, em seu Léxico do Novo Testamento, diz que as duas terdes eram contadas pelos hebreus de duas formas: a primeira, desde a hora nona (3 horas da tarde) até o pôr-do-sol; a segunda, do pôr-do-sol até a escuridão. O Léxico do Novo Testamento de Rotinson diz o mesmo. Isso concordaria muito próximo com o que diz Gescnius.

A seguir, introduzimos Levítico 22:6, 7: “O homem que tocar em tais coisas será imundo até a tarde, e não comerá das coisas sagradas, mas banhará o seu corpo em água e, posto o sol, então será limpo; depois comerá das coisas sagradas, porque isso é o seu pão.” Este texto parece não necessitar de comentários. Tarde parece ser claramente definido como “ao pôr-do-sol”. A pessoa que estava imunda até à tarde, ficava limpa ao pôr-do-sol. Veja também Deut. 23:11 e 24:13 e 15.

O texto a seguir parece ensinar a mesma coisa:

Josué 8:29: “Ao rei de Ai enforcou num madeiro, deixando-o ali até a tarde. Ao pôr-do-sol, por ordem de Josué, tiraram do madeiro o cadáver, lançaram-no à porta da cidade e levantaram sobre ele um grande montão de pedras, que permanece até o dia de hoje.” Josué 10:26-27, define tarde da mesma maneira: “Depois disto Josué os feriu, e os matou, e os pendurou em cinco madeiros, onde ficaram pendurados até a tarde. Ao pôr do sol, por ordem de Josué, tiraram-nos dos madeiros, lançaram-nos na caverna em que se haviam escondido, e puseram à boca da mesma grandes pedras, que ainda ali estão até o dia de hoje.” Veja também Juízes 14:18, 2 Sam. 3:35. Tarde também é definida em 2 Crônicas 18:34. “E a peleja tornou-se renhida naquele dia; contudo o rei de Israel foi sustentado no carro contra os sírios até à tarde; porém ao pôr-do-sol morreu.”

O Novo Testamento define noite como pôr-do-sol em dois lugares. Três dos evangelistas mencionam o mesmo fato; dois deles afirmaram que o fato ocorreu à tarde, e dois dizem que o fato ocorreu ao pôr-do-sol. Mateus 8:16 diz: “Caída a tarde, trouxeram-lhe muitos endemoninhados; e Ele com a sua palavra expulsou os espíritos, e curou todos os enfermos.” Em Marcos 1:32 diz: “E tendo chegado a tarde, quando já se estava pondo o sol, trouxeram-lhe todos os que se achavam enfermos, e os endemoninhados.” Lucas 4:40: E, ao pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de várias doenças lhos traziam; e pondo as mãos sobre cada em deles, os curava.” A partir de Marcos 1 verifica-se que esse evento ocorreu no pôr-do-sol que se seguiu ao sábado, consequentemente , é clara a razão por que esperaram até o pôr-do-sol para trazerem os doentes: eles esperaram o encerramento do sábado.

A seguinte passagem é considerada para provar que o dia, em algumas estações do ano, não iniciava até após o pôr-do-sol. Neemias 13:19, diz: “E sucedeu que, ao começar a fazer-se escuro nas portas de Jerusalém, antes do sábado, eu ordenei que elas fossem fechadas, e mandei que não as abrissem até passar o sábado e pus às portas alguns de meus moços, para que nenhuma carga entrasse no dia de sábado.” Talvez alguma dúvida surja por uma leitura desatenta do texto. Ele não diz “quando começou a escurecer em Jerusalém”, mas diz “dando as portas de Jerusalém já sombra antes do sábado” (NT: Almeida Antiga). Agora, eu penso que isso significa simplesmente que, aproximando-se o pôr-do-sol, os portões do lado oeste começavam a fazer sombra e, naquele momento, eles deveriam ser fechados para que tudo estivesse quieto quando o sábado começasse. Esse ponto de vista parece-me razoável e harmoniza o texto com todos os outros testemunhos apresentados.

A parábola de Mateus 20:1-12 tem sido apresentada para provar que o dia começa às 18 horas. “Porque o reino dos céus é semelhante a um homem, proprietário, que saiu de madrugada a contratar trabalhadores para a sua vinha. Ajustou com os trabalhadores o salário de um denário por dia, e mandou-os para a sua vinha. Cerca da hora terceira saiu, e viu que estavam outros, ociosos, na praça, e disse-lhes: Ide também vós para a vinha, e dar-vos-ei o que for justo. E eles foram. Outra vez saiu, cerca da hora sexta e da nona, e fez o mesmo. Igualmente, cerca da hora undécima, saiu e achou outros que lá estavam, e perguntou-lhes: Por que estais aqui ociosos o dia todo? Responderam-lhe eles: Porque ninguém nos contratou. Disse- lhes ele: Ide também vós para a vinha. Ao anoitecer, disse o senhor da vinha ao seu mordomo: Chama os trabalhadores, e paga-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros. Chegando, pois, os que tinham ido cerca da hora undécima, receberam um denário cada um. Vindo, então, os primeiros, pensaram que haviam de receber mais; mas do mesmo modo receberam um denário cada um. E ao recebê-lo, murmuravam contra o proprietário, dizendo: Estes últimos trabalharam somente uma hora, e os igualastes a nós, que suportamos a fadiga do dia inteiro e o forte calor.”

Os argumentos tirados desse texto são os seguintes: há doze horas no dia; a terceira hora é às nove horas; a hora sexta é ao meio-dia; a hora nona é às três horas, a décima-primeira hora é às 17 horas, e dessa hora em diante, até à noite, havia apenas uma hora. Assim, concluem, que a tarde era às 18 horas. Os defeitos no argumento exposto são estes:

1. As horas do Novo Testamento não são as mesmas que as nossas horas. Para nós, uma hora são 60 minutos, e nunca é mais nem menos. Mas, no Novo Testamento, a hora é a décima-segunda parte do espaço de tempo entre o nascer e o pôr-do-sol. Consequentemente, as horas eram mais longas ou mais curtas, de acordo com a estação do ano. É verdade que como a hora sexta se dava no meio do dia, ela vinha sempre às 12 horas (meio-dia); mas a décima-segunda hora, ou a tarde, vinha sempre ao pôr-do- sol.

2. A divisão do dia em horas não foi um desígnio divino, mas originou-se com os pagãos!!!

O mesmo argumento foi elaborado a partir de João 11:9: “Respondeu Jesus: Não são doze as horas do dia? Se alguém andar de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo”. Diz-se que, se há 12 horas no dia, então a sexta hora do dia é ao meio-dia, e se há seis horas antes e seis horas depois do meio-dia, segue-se que o dia de doze horas começa às seis da manhã e termina às seis da tarde, e que um dia de 24 horas teria, é claro, que começar e terminar às seis da tarde.

Esse argumento seria conclusivo se as premissas fossem corretas. O mesmo defeito existe neste argumento como no encontrado em Mateus 20, em que as horas não eram de 60 minutos como as nossas, mas era a décima-segunda parte do tempo transcorrido entre o nascer e o pôr-do-sol. Daí decorre que as horas estavam constantemente variando em extensão, mas a noite se dava invariavelmente ao pôr-do- sol. Consequentemente Mateus 20:1-12, e João 11:9 não entram em conflito com o testemunho apresentado de que o dia começa ao pôr-do-sol. Seria de se esperar que nós pudéssemos provar o argumento de que as horas eram a décima-segunda parte do espaço de tempo entre o nascer e o pôr-do-sol. Isso nós o faremos agora.

Os judeus contavam 12 horas no dia e, é claro, cada hora do dia, assim contada, deveria ser alguma coisa mais longa ou mais curta, de acordo com as diferentes épocas do ano, naquela região. (Notas de Clarke sobre João 1:39). Os judeus, assim como muitas outras nações, dividiam o dia do nascer do sol ao pôr-do-sol em 12 partes iguais; mas essas partes de horas eram mais longas ou mais curtas, de acordo com a estação do ano. (Notas de Clarke sobre João 11:9). Os judeus (por uma contagem adotada dos gregos) dividiam seu dia – ou o espaço de tempo do nascer do sol até o pôr-do-sol – em 12 horas, é claro, variando um pouco de acordo com a estação do ano. (Notas de Bloomfleld sobre João 11:9). Nos livros do Novo Testamento vemos claramente o dia sendo dividido em 12 horas, da mesma maneira que faziam os Gregos e Romanos. Essas horas eram iguais umas às outras, mas desiguais com relação às diferentes estações. As 12 horas dos mais longos dias do verão eram muito mais longas do que as mais curtas horas do inverno.

“Os escritores sagrados geralmente dividem o dia e a noite em doze horas desiguais. A hora sexta é sempre ao meio-dia durante todo o ano, e a décima-segunda hora é a última hora do dia. Mas no verão, a décima-segunda hora, assim como todas as outras, era mais longa do que no inverno.” (Enciclopédia do Conhecimento Religioso).

“O dia era dividido em 12 horas, as quais, é claro, variavam em extensão, sendo mais curtas no inverno e mais longas no verão.” (Dicionário Bíblico e Teológico de Watson).

“Os judeus dividiam o espaço de tempo do nascimento do sol até o pôr-do-sol, sendo os dias mais longos ou mais curtos, em 12 partes, assim o número de horas dos seus dias durante todo o ano eram as mesmas, apesar de serem mais curtas no inverno do que no verão.” (Nota de Cottage Bible sobre João 11:9).

Os judeus contavam os seus dias de pôr-do-sol a pôr-do-sol, de acordo com a ordem que é mencionada no primeiro capítulo de Gênesis, por conta do trabalho da criação. E foi a tarde e a manhã o dia primeiro. Seu sábado, ou sétimo dia, começou no pôr-do-sol do dia que chamamos sexta-feira, e durou até o mesmo horário no dia seguinte. Quando nosso Salvador estava em Cafarnaum, pensava-se ser errado trazer os doentes para serem curados enquanto ainda era sábado, “E, tendo chegado a tarde, quando já se estava pondo o sol, trouxeram-lhe todos os que se achavam enfermos, e os endemoninhados. E toda a cidade se ajuntou à porta.” Marcos 1:32-33. O tempo entre o nascer e o pôr-do-sol foi dividido em 12 partes iguais, o qual era chamado horas. João 11:9. Esse período de tempo, no entanto, é mais longo em uma época do ano do que em outra. Fica claro que as horas seriam também diferentes em extensão em diferentes tempos. No inverno elas eram, é claro, mais curtas do que no verão; eram numeradas a partir do nascer do sol; e não do meio do dia, como é comum conosco. As horas somente foram menciondas após o cativeiro. É razoável, portanto, acreditar que os judeus tomaram emprestada dos caldeus a maneira de dividir o tempo, de quem também foi passada para os gregos e romanos.” (Antiguidades Bíblicas de Kevin, pp. 171, 172).

A palavra horas, na Escritura, significa uma das 12 partes iguais em que cada dia era dividido e que, claro, eram de tamanhos diferentes em diferentes épocas de ano. Este modo de dividir o dia prevaleceu entre os judeus, pelo menos, até o fim do exílio em Babilônia, e talvez antes. (Dicionário Bíblico de Covel).

“No Novo Testamento, uma hora era uma das doze partes em que o dia natural e também a noite eram divididos, os quais eram, de fato, de diferentes extensões em diferentes épocas do ano. (As horas) foram provavelmente introduzidas pelos astrônomos e usada primeiramente por Hipparchus, por volta do ano 140 AC.” (Léxico do Novo Testamento de Robinson).

Esses tetemunhos são amplamente suficientes para estabelecer o fato de que as horas do Novo Testamento não correspondem com as horas medidas pelo relógio. E que eles eram a décima- segunda parte do espaço de tempo entre o nascer e o pôr-do-sol. Daí nenhum argumento pode ser tirado de Mateus 20:1-12 e João 11:9 que não esteja em perfeita concordância com o testemunho já apresentado de que a tarde – que é quando o dia começa – é ao pôr-do-sol.

A consideração mais importante é esta: se o sábado começa às seis horas, ninguém pode dizer quando essa hora chega, a menos que tenham um relógio. Ora, os relógios somente foram inventados por volta de 1658. (VejaPutnam’s Handbook of Useful Arts). Assim o povo de Deus, por cerca de 6.000 anos, esteve sem meios de dizer quando o sábado começava. Mas tal conclusão seria um absurdo manifesto. E já vimos que não há um único testemunho da Sagrada Escritura que conduza às seis horas para o horário do pôr-do-sol. Concluímos este artigo resumindo os seguintes argumentos:
1) Não há argumento nas escrituras que suporte o horário das seis horas como sendo o horário que começa a tarde.2) Se esse fosse o horário certo, o povo de Deus, por cerca de 5.600 anos esteve incapacitado de saber quando o sábado começava.3) A Bíblia, por várias e claras afirmações, estabelece o fato de que tarde é ao pôr-do-sol.

(Traduzido por Marilda Scotti Luciano Barcellos)

quinta-feira, 19 de maio de 2016

A “Santa Ceia” é realmente santa?


O assunto o qual vou abordar agora é muito delicado para muitos da estrutura religiosa cristã (catolicismo e protestantismo). Para muitos, divergir nesta questão é uma blasfêmia terrível. Mas, para aqueles a quem, de fato se destina este BLOG, é mais um artigo que servirá de despertamento, conduzindo-os a retirar de sua vida mais um engano de satanás. E esse engano só não foi revelado há muito mais tempo pela igreja, caro leitor, porque estava soterrado sob liturgias e rituais provenientes da religiosidade pagã-romana.

Sei que, ao tocar neste assunto, é como se estivesse cutucando um vespeiro, pois a “Ceia” é um dos pilares do cristianismo. Nestes últimos tempos, o Espírito Santo tem aberto os olhos de muitos, pois o dia do retorno do nosso Messias está muito próximo. E antes de sua volta TODAS as coisas serão reveladas aos servos, todo engano cairá por terra (cf. Atos 3.21).

O Messias nunca mandou instituirmos rituais! E Ele não nos ordenou a fazer este. Mas através de certas atitudes descritas na Palavra, Ele nos deixa o exemplo de transferi-las para uma linguagem espiritual em nosso dia-a-dia. Ele aproveitou a comemoração da páscoa junto aos seus discípulos e, em meio a vários outros itens no jantar, destacou o pão e o vinho para nos ensinar algo IMPORTANTE. Mas NÃO instituiu um ritual. Por exemplo, o que Ele nos ensina com o ato de lavar os pés dos discípulos? Com certeza não ensinou um ritual literal de lavar os pés, mas ensina que devemos nos humilhar, nos sujeitar e servir o próximo em amor.

Diversas liturgias e rituais que muitos do catolicismo e protestantismo contemporâneo praticam e as tem como comuns e importantes, são originárias do império romano, quando o imperador Constantino formou o cristianismo religioso, por volta do ano 300 D.C. Presta atenção numa coisa: o cristianismo de Constantino é um verdadeiro pacote de rituais e costumes de outras culturas pagãs, como por exemplo, Grega e Mitraica (religião romana pagã).

O ritual de comer um pão físico e beber o vinho (suco de uva) foi introduzido pelo catolicismo de Constantino, copiando um ritual ao deus chamado “Mitra”. Não vou me aprofundar no contexto histórico agora, mas apenas focar o que o Messias verdadeiramente nos ensinou, sem a intromissão de ensinos impostores do passado.

Martinho Lutero, idealizador da “reforma protestante”, morreu ainda sendo padre católico. Ele apenas reformou algo já existente, mas não se desapegou de vários de seus velhos dogmas. Quando você reforma uma casa, você pode modificar algumas características dela, mas não muda suas estruturas. Pois foi isto que aconteceu na suposta “reforma protestante”. Uma das provas que podemos observar na história foi que, mesmo após a reforma de Lutero, ainda era feito pelos protestantes o ritual da Eucaristia, na qual, a cada rito, refazem simbolicamente o sacrifício já realizado e consumado no madeiro.

A “Ceia do Senhor” (nome dado pelo catolicismo), era simplesmente, no tempo do Messias, uma refeição noturna durante a páscoa judaica. “Chegou, porém, o dia dos ázimos, em que importava sacrificar a páscoa. E mandou a Pedro e a João, dizendo: Ide, preparai-nos a páscoa, para que a comamos. E eles lhe perguntaram: Onde queres que a preparemos? E ele lhes disse: Eis que, quando entrardes na cidade, encontrareis um homem, levando um cântaro de água; segui-o até à casa em que ele entrar. E direis ao pai de família da casa: O Mestre te diz: Onde está o aposento em que hei de comer a páscoa com os meus discípulos?” (Lucas 22:7-11)

Esclarecimentos importantes antes de começar pra valer o estudo

Os padres católicos que traduziram e criaram o livro “Bíblia”, a organizaram de forma errada. Estamos acostumados a começar a ler o Novo Testamento à partir do nascimento do Messias. Isto é um grande erro. Você pode dizer que isto não afeta a “inerrância” deste livro, pois é apenas uma ordem na impressão. Mas já é suficiente para levar as pessoas ao engano. É importante sabermos disto. O “Novo testamento” se inicia, de fato, após a morte do nosso Messias, e não no nascimento, como foi colocado na Bíblia. Após sua morte, se iniciou uma nova aliança.

Quero esclarecer também que, o Antigo Testamento é sombra das coisas futuras (Novo Testamento). Se a “Ceia” foi realizada antes da morte do Messias, então devemos entender que ela foi feita ainda durante a Velha Aliança, por isso, este ato é apenas uma sombra da revelação espiritual trazida no Novo Testamento. Pois bem, foi exatamente o que o Messias quis nos trazer. Ele NÃO nos ensinou um ritual, mas sim um entendimento espiritual de como seria a vida de sua Igreja após Sua morte e ressurreição. Através daquela simples refeição, Ele nos ensinou como deveríamos viver espiritualmente.

“Porventura o cálice de bênção que abençoamos, não é a comunhão do sangue de Jesus? O pão que partimos, não é porventura a comunhão do corpo de Jesus?” (1 Coríntios 10:16)

Enquanto você ler o estudo, você pode perceber que o texto de I Coríntios 11:23 em diante, não foi usado. Mas este texto será explicado ao final deste artigo.

Vamos agora analisar os textos:

O PÃO

“E, tomando o pão, e havendo dado graças, partiu-o, e deu-lho, dizendo: Isto é o meu corpo, que por vós é dado; fazei isto em memória de mim.” (Lucas 22:19)

O NOSSO MESSIAS É O VERDADEIRO PÃO, O PÃO QUE DESCEU DOS CÉUS

E não um pão físico (pão de forma, pão sovado, bisnaga da padaria). O pão que Ele nos fala é espiritual, ou seja, Ele mesmo! No dia da páscoa, Ele apenas usa o pão e o vinho para servir como simbolismo didático no momento, e nunca para ser um ritual, como é feito hoje! Isso precisa ficar MUITO claro, por isso estou repetindo.

“Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo.” (João 6:51)

“Porque o pão do Eterno é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo. Disseram-lhe, pois: Senhor, dá-nos sempre desse pão. E Jesus lhes disse: Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim não terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede. Mas já vos disse que também vós me vistes, e contudo não credes.” (João 6:33)

“Vossos pais comeram o maná no deserto, e morreram. Este é o pão que desce do céu, para que o que dele comer não morra. Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu der é a minha carne, que eu darei pela vida do mundo. Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como nos pode dar este a sua carne a comer?” (João 6:49-52).

Devemos nos alimentar do verdadeiro Pão que é espiritual, e não físico. Veja novamente neste versículo: “Este é o pão que desceu do céu (Jesus); não é o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre.” (João 6:58)

“Eu sou o pão da vida.” (João 6:48) – Jesus é o verdadeiro Pão espiritual, e não um feito de trigo.

Mas porque “fazei isto em memória de mim”?

Certamente não é um ritual da qual Ele pede para que façamos. Veja os textos:
“No princípio era a Palavra, e a Palavra estava com Deus, e a Palavra era Deus.” (João 1:1)

“E a Palavra se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” (João 1:14)

“(Jesus) Estava vestido de um manto salpicado de sangue; e o nome pelo qual se chama é a Palavra de Deus.” (Apocalipse 19:13)

Jesus, caro leitor, é a PALAVRA! É o Pão! O Pão espiritual é a Palavra. Quando Ele nos pede que partíssemos e comêssemos do Pão, na verdade devemos comer e compartilhar a Palavra, a Palavra viva, o próprio Jesus! Então o Pão que as Escrituras nos falam não é um pão fermentado que compramos na padaria e comemos como se fosse um pão “mágico”, não! Mas é o Pão espiritual! Jesus, nosso Messias! Faça isso sempre em memória dele.

O CÁLICE

“Então havendo recebido um cálice, e tendo dado graças, disse: Tomai-o, e reparti-o entre vós; Semelhantemente, depois da ceia, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto em meu sangue, que é derramado por vós.” (Lucas 22:17-20)

Da mesma forma que o Pão descrito na Escritura é o Pão espiritual, ou seja, a Palavra Viva (Jesus), o cálice descrito no texto acima também é espiritual, veja:

“E apartou-se deles cerca de um tiro de pedra; e pondo-se de joelhos, orava, dizendo: Pai, se queres afasta de mim este cálice (sofrimento); todavia não se faça a minha vontade, mas a Tua.” (Lucas 22:41-42)

“Responderam-lhe: Concede-nos que na tua glória nos sentemos, um à tua direita, e outro à tua esquerda. Mas Jesus lhes disse: Não sabeis o que pedis; podeis beber o cálice que eu bebo (sofrimento futuro e morte), e ser batizados no batismo em que eu sou batizado? E lhe responderam: Podemos. Mas Jesus lhes disse: O cálice que eu bebo, haveis de bebê-lo, e no batismo em que eu sou batizado, haveis de ser batizados; mas o sentar-se à minha direita, ou à minha esquerda, não me pertence concedê-lo; mas isso é para aqueles a quem está reservado.” (Marcos 10:37-40)

“Disse, pois, Jesus a Pedro: Mete a tua espada na bainha; não hei de beber o cálice (sofrimento futuro) que o Pai me deu?” (João 18:11)

Diante destes textos podemos verificar a linguagem espiritual da expressão “Cálice”, caro leitor. O cálice do Messias são Seus sofrimentos, Sua renúncia, morte, Sua vida… Quando Ele pede para bebermos do seu cálice, é para que possamos alinhar nossa vida com a Vida dEle.. É que possamos imitá-lo em Suas atitudes. Devemos nos alimentar do Pão (Sua Palavra) e dividi-lo com muitos, mas também praticarmos o que Ele fez, nos humilhando se preciso, até morte, para que Ele seja glorificado, assim como o Pai foi glorificado na vida e atitudes Dele.

Uma orientação simples ou ordenação de uma liturgia ritualística?

Vamos ler o texto por inteiro, e não somente a parte que é lida na liturgia!

“Nisto, porém, que vou dizer-vos não vos louvo; porquanto vos ajuntais, não para melhor, mas para pior. Porque, antes de tudo, ouço que quando vos ajuntais na igreja há entre vós dissensões; e em parte o creio. E até importa que haja entre vós facções, para que os aprovados se tornem manifestos entre vós. De sorte que, quando vos ajuntais num lugar, não é para comer a ceia do Senhor; porque quando comeis, cada um toma antes de outrem a sua própria ceia; e assim um fica com fome e outro se embriaga. Não tendes porventura casas onde comer e beber? Ou desprezais a igreja de Deus, e envergonhais os que nada têm? Que vos direi? Louvar-vos-ei? Nisto não vos louvo. Porque eu recebi do Senhor o que também vos entreguei: que o Senhor Jesus, na noite em que foi traído, tomou pão; e, havendo dado graças, o partiu e disse: Isto é o meu corpo que é por vós; fazei isto em memória de mim. Semelhantemente também, depois de cear, tomou o cálice, dizendo: Este cálice é o novo pacto no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que o beberdes, em memória de mim. Porque todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes do cálice estareis anunciando a morte do Senhor, até que ele venha. De modo que qualquer que comer do pão, ou beber do cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor. Examine-se, pois, o homem a si mesmo, e assim coma do pão e beba do cálice. Porque quem come e bebe, come e bebe para sua própria condenação, se não discernir o corpo do Senhor. Por causa disto há entre vós muitos fracos e enfermos, e muitos que dormem. Mas, se nós nos julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados; quando, porém, somos julgados pelo Senhor, somos corrigidos, para não sermos condenados com o mundo. Portanto, meus irmãos, quando vos ajuntais para comer, esperai uns pelos outros. Se algum tiver fome, coma em casa, a fim de que não vos reunais para condenação vossa. E as demais coisas eu as ordenarei quando for.” (I Coríntios 11:17-34)

Por causa das inúmeras repetições da liturgia da qual o líder lê este texto, muitos até o sabem “de cor” sintomatizando uma idolatria pelo texto. Mas nesta parte da carta à Igreja de Coríntio, Paulo estava os orientando com muita simplicidade, não querendo lhes ordenar uma liturgia ritualística. Paulo expõe a esta Igreja da seguinte forma:

A comunidade de Corinto não sabia discernir o Corpo de Jesus…. Muitos formavam entre si, grupos para reunir-se comer e embebedar-se na casa de alguém (a famosa roda de irmãos que se formam depois da reunião para comer)… Só que enquanto alguns se reuniam (“panelinhas”) para comerem sua refeição, outros da própria congregação estavam passando por dificuldade e fome. Ou seja, individualismo e egoísmo eram alguns pecados da Igreja de Corinto. Paulo então diz, que se forem apenas para ajuntarem alguns para comer e deixar um outro irmão em dificuldade e sem ajuda, é melhor que comam em casa, pois eles não se reuniam para agradar à Jesus, não praticavam a verdadeira refeição, para compartilhar da Palavra.

Por isso, Paulo cita a passagem da páscoa feita antes da morte do Messias, da qual Ele ensina qual é a verdadeira refeição, que é comer e beber Dele. Para que com isso, anunciar a morte de Jesus.

Como vamos fazer este anúncio (do evangelho) apenas enchendo o estômago de pão físico e suco de uva?

Paulo também nunca quis transmitir o ensino de uma liturgia ritualística. Mas ele ensinava que, se somos o Corpo de Cristo, e o Messias “se partiu” por nós, devemos fazer como Ele, O Seu Corpo – a Igreja, também deve ser partida pelo próximo, através da pregação da Palavra, participando do seu cálice: dos seus sofrimentos, sua renúncia e seu modo de viver.

Por causa daqueles erros apontados por Paulo, A igreja de Corinto não sabia discernir o Corpo de Jesus, pois apenas comiam para si, e comiam para sua própria condenação, pois estavam em pecado. Por isso estavam espiritualmente fracos e doentes, e muitos dormiam na fé.

A “ceia” no formato atual que é praticada nas igrejas vem de tempos em que Roma já buscava uma conciliação com práticas pagãs, e portanto deve ser evitada. Fora o fato de ser completamente distorcida: É feita com pão fermentado, é feita fora de hora, é feita de forma desconectada da festa bíblica de que se origina, e não é ordenada em momento algum nas Escrituras. Em suma, trata-se de doutrina de homens.

A santa ceia cristã é um ritual que tem suas origens no paganismo

Mais especificamente na chamada Teofagia. Esta é mais uma das “contribuições” de Constantino a cristandade. Seu sincretismo na implantação de uma religião única no império romano, destroçou o poder da IGREJA DE CRISTO até os dias de hoje, quando inseriu em seu meio práticas pagãs. É tempo de restauração. Livre-se de todo paganismo!

A Teofagia é a prática de comer o corpo de um deus. Isso às vezes é realizada simbolicamente através da ingestão de um alimento ou material simbólico do deus. Nos rituais de fertilidade, o grão colhido pode ser ele próprio o deus renascer da vegetação. Esta prática tem origem em muitas religiões antigas. Dionísio e muitos exemplos são documentados em The Golden Bough por Sir James George Frazer (1854-1941). Vestígios da prática da teofagia sobreviveram em muitas religiões modernas.

Protestantes e Católicos não praticam a CEIA do modo como era no século I (trecho do livro “Cristianismo Pagão”, de Frank Viola)

Rios de sangue foram derramados tanto por mãos protestantes como católicas por causa de intrincadas doutrinas relacionadas à Ceia do Senhor. 20[20] A Ceia do Senhor, uma vez preciosa e viva, chegou a ser o centro do debate teológico por muitos séculos. Mas protestantes (como católicos) não praticam a Ceia do modo como era no século I. Para os primeiros cristãos, a Ceia do Senhor era uma refeição festiva. 21[21]

Hoje, a tradição forçou-nos a tomar a Ceia com um dedalzinho com suco de uva e um pedacinho de pão ou biscoito sem gosto. Toma-se a Ceia em um ambiente de penumbra e morte. Pedem que recordemos os horrores da morte de Nosso Senhor e reflitamos sobre nossos pecados. Além disso, a tradição nos ensina que tomar a Ceia pode ser uma coisa perigosa. Portanto, a maioria da moderna cristandade nunca a tomaria sem a presença de um clérigo. Todos estes elementos eram desconhecidos entre os primeiros cristãos. Para eles, a Ceia do Senhor era uma ceia comunal. 22[22] O humor era de celebração e gozo. E não havia nenhum clérigo na direção. 23[23] A Santa Ceia, essencialmente, era um banquete cristão.

Truncando a Ceia

Quando acabou a ceia completa, ficando apenas o pão e o cálice? Durante o século I e a primeira parte do II, os primeiros cristãos descreviam a Santa Ceia como a “festa do amor”.24[24] Naquele tempo eles tomavam o pão e o cálice dentro do contexto de uma ceia festiva. Mas por volta do tempo de Tertuliano (160-225), houve um início de separação do pão e do cálice da Ceia. Pelo fim do século II, a separação foi completa. 25[25]

Alguns eruditos têm arrazoado que os cristãos eliminaram a ceia porque eles não queriam que a Eucaristia fosse profanada pela participação de incrédulos. 26[26] Em parte isso pode ser verdade. Mas é mais provável que a crescente influência do ritual religioso pagão removeu o gostoso ambiente caseiro, não religioso, de uma ceia na sala de uma casa. 27[27] Já pelo século IV a festa do amor foi “proibida” entre os cristãos! 28[28]

Com o fim da ceia, os termos “partir o pão” e “Ceia do Senhor” sumiram. 29[29] Agora, o termo comum do ritual truncado (apenas pão e cálice) era “Eucaristia”. 30[30] Irineu (130-200) foi um dos primeiros a descrever o pão e o cálice enquanto “oferenda”. 31[31] Depois dele adotou-se o termo “oferenda” ou “sacrifício”.

A mesa do altar onde o pão e cálice eram colocados chegou a ser vista como um altar onde a vítima [do sacrifício] era oferecida.32[32] A Ceia deixou de ser um evento comunitário. Em vez disso virou um ritual sacerdotal presenciado a distancia. Ao longo dos séculos IV e V houve um crescente sentido de medo e pavor associado com a mesa onde se celebrava a Eucaristia.33[33] Chegou a ser um ritual sombrio. A alegria que antes acompanhava a Ceia desaparecera completamente.34[34]

O misticismo associado à Eucaristia deveu-se à influência do misticismo religioso pagão. 35[35] Tais religiões eram permeadas de mistério e superstição. Com esta influência, os cristãos começaram a atribuir nuances sagradas ao pão e ao cálice. Eram vistos como objetos santos em si mesmos. 36[36]

O fato da Ceia do Senhor chegar a ser um ritual sagrado fez com que esta exigisse uma pessoa sagrada para ministrá-la.37[37] É aí que entra o sacerdote para oferecer o sacrifício da Missa. 38[38] Acreditava-se que ele tinha o poder de pedir a Deus que descesse do céu e tomasse residência em um pedacinho de pão. 39[39]

Por volta do século X, o significado da palavra “corpo” mudou na literatura cristã. Previamente, os escritores cristãos utilizavam a palavra “corpo” referindo-se a uma das três coisas:
1) O corpo físico de Jesus,
2) a Igreja, ou
3) O Pão da Eucaristia.
Os pais da igreja primitiva viam a igreja como uma comunidade de fé identificada com o partir do pão. Mas pelo século X houve uma mudança de pensamento e de linguagem. A palavra “corpo” já não era mais utilizada referindo-se à igreja. Era utilizada apenas referindo-se ao corpo físico do Senhor ou ao pão da Eucaristia. 40[40] A palavra “corpo” tinha sido evacuada de seu outro significado: A igreja.

Por conseguinte, a Ceia do Senhor distanciou-se bastante da ideia da Igreja reunindo-se para celebrar o partir do pão. 41[41] A mudança de vocabulário refletia esta prática. A Eucaristia não tinha nada a ver com a Igreja, mas chegou a ser vista como “sagrada” em si mesma — mesmo quando colocada na mesa. Envolvida em uma mística religiosa. Vista com assombro. Tomada pelo sacerdote com uma sombria disposição. Completamente divorciada da natureza comunal da ekklesia.

Todos estes fatores deram apoio à doutrina da transubstanciação. No século IV, explicitou-se a crença de que o pão e o vinho se transformavam em corpo e em sangue real do Senhor. A transubstanciação foi, portanto, a doutrina que explicava teologicamente como essa mudança ocorria.42[42] (Esta doutrina funcionou do século XI ao XIII).

A doutrina da transubstanciação trouxe consigo um sentimento de medo em torno dos elementos. O temor foi tão intenso que o povo de Deus vacilava aproximar-se dos elementos.43[43] Acreditava-se que quando as palavras da Eucaristia eram ditas, o pão literalmente virava Deus. Tudo isto converteu a Ceia do Senhor em um ritual sagrado levado a cabo por gente sagrada, bem distante das mãos do povo de Deus. Isto ficou tão fixo na mentalidade medieval que o pão e o cálice viraram “oferenda” até mesmo para alguns dos reformadores. 44[44]

Mesmo descartando a noção católica da Ceia do Senhor enquanto sacrifício, os modernos cristãos protestantes continuaram abraçando a prática católica da Ceia. Observe qualquer Ceia do Senhor (muitas vezes chamada de “Santa Comunhão”) em qualquer igreja protestante e você verá o seguinte:

A Ceia do Senhor composta por um biscoitinho (ou pedacinho de pão) e um dedalzinho de suco de uva (ou vinho) em nada se assemelha a uma ceia de verdade, o mesmo ocorre na Igreja Católica. O humor é sombrio e taciturno. Como na Igreja Católica. O pastor diz à congregação que cada um tem que se examinar com respeito ao pecado antes de participar dos elementos. Uma prática que veio de João Calvino. 45[45]

Como o sacerdote católico, muitos pastores ministram a ceia e recitam as palavras da instituição: “Este é o meu corpo” antes de distribuir os elementos à congregação. 46[46] Da mesma forma que a Igreja Católica. Com apenas algumas poucas mudanças, tudo isso vem do catolicismo medieval.

CONCLUSÃO

Não estou introduzindo algo novo no evangelho, caro leitor, mas verdadeiramente exortando-os a voltar ao ensinamento original, sem a ritualização religiosa, na qual, o Messias nunca quis nos ensinar, mas que foi injetada durante a história da Igreja.

Muitos ainda vivem enganados, pensando que ao comerem um pão de trigo e fermento, e beberem um copo de suco de uva industrializado, estão obedecendo uma ordenança do nosso Messias. Mas estão fracos e doentes porque não se alimentam e compartilham da Palavra (O Pão espiritual) e nem se tornam participantes do Cálice do Mestre (da vida e práticas do nosso Messias), que significa viver em santidade, andar em santidade, como Ele andou.

Olhe pra mim! Este ritual de comer pão físico e beber suco como ritual NÃO consta nas Sagradas Escrituras! E nunca devia existir. Este rito foi introduzido por homens carnais com más intenções. O comer e beber Dele deve ser espiritual! Uma atitude diária em nossa vida!

Então, tudo o que foi feito até hoje, de nada serviu?

“Mas Jesus, não tendo em conta os tempos da ignorância, anuncia agora a todos os homens, e em todo o lugar, que se arrependam;” (Atos 17:30)

Outrora, vivíamos no tempo da ignorância, mas agora o Espírito Santo está abrindo os olhos da Igreja! Ouça-O! Vamos ver o que é espiritual com os olhos espirituais! E não carnais (segundo a nossa vontade).

“Pois os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito. Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.” (Romanos 8:5-6)

Chegou o tempo de voltarmos a pureza do evangelho, sem distorções históricas, sem invenções com más intenções. Apenas o evangelho! Nosso foco deve ser Jesus… Pare de pensar apenas em si mesmo! Vamos discernir o Corpo Dele! Vamos imitá-Lo, amando o próximo, e pregando as boas novas do Reino!

“Quem tem ouvidos para ouvir, OUÇA!”

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Referências Bibliográficas
20[20] Nas palavras de H. Ellerbe, “Ensinaram-me a conceber a história do Cristianismo como uma história de espiritualidade, emanada de Cristo, que brilhou pelos séculos como luz na escuridão. Mas percebi que tal Cristianismo tem em si mesmo um lado escuro, e que a história do Cristianismo é ao mesmo tempo uma ladainha de crueldade e um legado de caridade”.
21[21] Veja Rethinking the Wineskin, Capítulo 2; Eric Svendsen, The Table of the Lord (Atlanta: NTRF, 1996); F.F. Bruce, First and Second Coríntios, NCB (London: Oliphant, 1971), p. 110; James F. White, The Worldliness of Worship(New York: Oxford University Press, 1967), p. 85; William Barclay, The Lord’s Supper(Philadelphia: WestministerPress, 1967), pp.100-107; I. Howard Marshall, Last Supper
and Lord’s Supper(Eerdmans, 1980); Vernard Eller, In Place of Sacraments (Eerdmans, 1972), pp. 9-15.
22[22] “Ao longo do período do NT a Ceia do Senhor era uma refeição real compartilhada nas casas de cristãos” (John Drane); “Nos primeiros dias a Ceia do Senhor aconteceu no curso de uma refeição comunal. Todos traziam a comida que podiam e depois a compartilhavam conjuntamente” (Donald Guthrie); “Em Corinto a sagrada comunhão não era simplesmente uma refeição simbólica como
fazemos, mas uma refeição real. Além disso, parece claro que era uma refeição em que cada participante trazia comida” (Leon Morris).
23[23] The Lord’s Supper, pp. 102-103. A Ceia do Senhor foi certa feita uma função “secular”, mas eventualmente virou dever especial de uma classe sacerdotal.
24[24] Isto foi chamado Agape. Judas 1:12.
25[25] The Shape of the Liturgy, p. 23;Early Christians Speak, pp. 82-84, 96-97, 127-130. Nos século I e início do século II, A Ceia do Senhor parece ter sido celebrada pela noite como uma refeição. Fontes do século II mostram que era celebrada apenas aos domingos. No Didache, a Eucaristia é mostrada como sendo tomada com a refeição do Ágape(festa do amor). Veja também J.G. Davies, The Secular Use
of Church Buildings(New York: The Seabury Press, 1968), p. 22.
26[26] The Table of the Lord, pp. 57-63.
27[27] Sobre as influências pagãs envolvendo a Missa Cristã, veja o ensaio de Edmon Bishop, The Genius of the Roman Rite; Mgr. L. Duchesne, Christian Worship: Its Origin and Evolution(New York: Society for Promoting Christian Knowledge, 1912), pp. 86-227; Josef A. Jungmann, S.J., The Early Liturgy: To the Time of Gregory the Great(Notre Dame: Notre Dame Press, 1959), p. 123, 130-144, 291-292; M.A. Smith, From Christ to Constantine (Downer’s Grove: InterVarsity Press, 1973), p. 173; Will Durant, Caesar to Christ(New York: Simon & Schuster, 1950), pp. 599-600, 618-619, 671-672.
28[28] Foi proibida pelo Concílio de Cartago em 397 d.C.. The Lord’s Supper, p. 60; Charles Hodge, 1 Coríntios, p. 219; R.C.H. Lenski, The Interpretation of 1 & 2 Coríntios, p. 488.
29[29] The Early Christians, p. 100.
30[30] Ibid., p. 93. Eucaristia significa “ação de graças”.
31[31] Tad W. Guzie, Jesus and the Eucharist(New York: Paulist Press, 1974), p. 120.
32[32] Ibid.
33[33] Escritores como Clemente de Alexandria, Tertuliano, e Hippolytus (início do século III) começaram a usar uma linguagem que geralmente fala da presença de Cristo no pão e no vinho. Mas nenhuma tentativa foi feita naquele primeiro momento para questionar este realismo físico que “transformava” o pão e o vinho em carne e sangue. Posteriormente, alguns escritores orientais (Cyril, Sarapion, Athanasius) apresentaram uma oração para o Espírito Santo transformar o pão e o vinho em corpo e sangue. Mas foi Ambrósio de Milão (fim do século IV) que fixou um poder consagratório pela recitação das palavras da instituição. Às palavras “Este é o meu corpo” (do latim em meum de corpo de hocest) foram atribuídas o poder de transformar o pão e o vinho (Josef Jungmann, The Mass of the Roman Rite, New York: Benziger, 1951, pp. 52, 203-204; Gregory Dix, The Shape of the Liturgy, London: Dacre Press, pp. 239, 240-245). Incidentalmente, o latim começou a ser utilizado no Norte da África no início do século I e esparramou-se lentamente através de Roma até tornar-se comum ao final do século III (Bard Thompson, Liturgies of the Western Church, Cleveland: Meridian Books, 1961, p. 27).
34[34] Isto se reflete também na arte Cristã. Não há nenhum semblante melancólico de Jesus antes do século IV (Private Email from Graydon Snyder, 10/12/2001; Veja também his book Ante Pacem).
35[35] Jesus and the Eucharist, p. 121.
36[36] Isto aconteceu no século IX. Antes disto era o ato de tomar a Eucaristia que se considerava sagrado. Mas em 830 d.C., um homem chamado Radbert escreveu o primeiro tratado abordando a Eucaristia focando diretamente o pão e o vinho. Todos os escritores cristãos antes de Radbert descreveram o que os cristãos faziam quando tomavam o pão e o vinho, ou seja, o ato de tomar os elementos. Radbert foi o primeiro a focar exclusivamente os elementos pão e vinho que eram colocados na mesa do altar (Jesus and the Eucharist, pp.60-61, 121-123).
37[37] James D.G. Dunn, New Testament Theology in Dialogue (Westminister Press, 1987), pp. 125-135.
38[38] Isto teve início por volta do século IV.
39[39] Richard Hanson, Christian Priesthood Examined(Guildford and London: Lutterworth Press, 1979), p. 80.
40 http://www.libertar.info/
41 Cristianismo Pagão pag. 110 a 114.

A Ceia


Quando se fala em CEIA o que vem a sua cabeça?
Se você respondeu COMER está perfeito!
Pois CEAR significa COMER e participar da CEIA significa COMER UMA COISA SANTA.

E O QUE É SANTO?
É tudo aquilo que é SEPARADO DO MUNDO.

Quando se é chamado para a CEIA é você COMENDO o que o FILHO do ETERNO está lhe dando para COMER. Certamente você imaginará: Um pedaço de pão sem fermento e um cálice de vinho. Esta é a PARTE SIMBÓLICA.

É preciso que você saiba o que representa o PÃO SEM FERMENTO e o VINHO. Entra aqui como em toda a Escritura Sagrada os ENIGMAS “PARÁBOLAS”. Se você não souber o significado dessas PARÁBOLAS irá COMER somente um pedaço de pão e um pouco de vinho ou suco de uva. Isso sem nenhum valor para a realidade e a gravidade do que é a CEIA. Ela é como o BATISMO,LAVA PÉS e outros símbolos falados nas Escrituras. Quando você parar para meditar, tudo terá oMESMO SIGNIFICADO.

Para compreender o que é esta CEIA vamos para onde tudo começou. O ETERNO sempre avisou aos seus servos o que iria acontecer e fazer. Mas quem não é servo, não OUVE.

Muito bem! Vamos ao princípio da criação.
Você se lembra ou já leu a passagem de Adão, Eva, ETERNO e a Serpente? Se já leu se recorde. Se nunca leu vá ao Livro Sagrado e leia (Gênesis 1-2-3)

Se você observar, o ETERNO disse:
[Gênesis 2:16-17] Ordenou o ETERNO Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente; mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Veja que esta foi a ORDEM – MANDAMENTO – PALAVRA que o ETERNO deu ao HOMEM e a MULHER [NÃO COMA]

Agora repare onde entra a SERPENTE – QUE É O DRAGÃO – DIABO E SATANÁS.
[Gênesis 3:1-6] Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o ETERNO Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais. Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal. Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.

Daí eu pergunto a você: Foi uma “MAÇÔ Como o MUNDO diz que é, que ela COMEU?
Porque Adão e Eva foram EXPULSOS do paraíso (DA PRESENÇA DO ETERNO)? Pense.... Medite.... Análise a situação....

O FRUTO que eles COMERAM foi a DESOBEDIÊNCIA. Veja que quando o ETERNO DISSE “NÃO COMEREIS SE COMER MORRERÁ. A SERPENTE DISSE: “PODE COMER CERTAMENTE NÃO MORREREIS”

Então veja aqui que o DIABO ele é CONTRÁRIO A PALAVRA DO ETERNO.
O PAI DIZ = NÃO COMA SE COMER MORRERÁ.
O DIABO DIZ = PODE COMER SE COMER NÃO MORRERÁ.

Então veja que Adão e Eva deram OUVIDOS a quem?
Primeiro o ETERNO falou NÃO COMA.
Depois veio a SERPENTE e disse COMA.
O sentido e a PARÁBOLA por trás desse assunto é a PALAVRA COMER. Que tem o seu significado de OUVIR.

Se Adão e Eva OUVISSEM ao ETERNO não MORRERIA.
Mas por terem OUVIDO ao ADVERSÁRIO (SATANÁS) foram EXPULSOS da presença do ETERNO. Quem está longe de Deus está MORTO.

Daí vem o sentido da CEIA. COMER o que o FILHO está dando. Não de OUTRO. Quando se fala COMA do que o FILHO do ETERNO der, se diz: OUÇA – ESCUTE – SIGA o FILHO do ETERNO. Por isso o PÃO SEM FERMENTO. Ou seja, a PALAVRA do ETERNO SEM ACRÉSCIMO nem DIMINUIÇÃO.

Chegou a hora de você COMER o PÃO sem FERMENTO. A CEIA verdadeira não o SÍMBOLO. O SÍMBOLO todas as RELIGIÕES FAZEM. Mas o que se COME que ele dá e a sua PALAVRA.

[Lucas 14:16] O Messias, porém, lhe disse: Certo homem dava uma grande ceia, e convidou a muitos.
A todos foi PREGADO O EVANGELHO. Mas a maioria não recebeu a sua PALAVRA. O PÃO que desceu do céu.
[João 6:51] Eu sou o pão vivo que desceu do céu; se alguém comer deste pão, viverá para sempre; e o pão que eu darei pela vida do mundo é a minha carne.

(Ele morreu para nos ENSINAR e trazer a mensagem que o seu PAI mandou) Não despreze este sacrifício. Ouça a ele não ao HOMEM. Pois a palavra dele não é dele, mas do PAI, o ETERNO.
Ele é o PÃO SEM FERMENTO os que são CONTRA ele são os com FERMENTO, falamDOUTRINAS (ENSINAMENTOS) diferente do que o PAI dele falou.

Lembre-se:
COMER (CEAR) é OUVIR.
Mas OUVIR não a mim e nenhum outro HOMEM. OUVIR ao Espírito Santo que fala pelos seusSERVOS – PROFETAS – E SEU FILHO. Quem CRER é que OUVIU. Mas OUVIU não ao HOMEM a SERPENTE. Mas OUVIU a voz do ETERNO que diz: OUÇA (CEIE) E CREIA este é o REAL sentido da CEIA.

[Êxodo 3:13-15] Então disse Moisés a Deus: Eis que quando eu for aos filhos de Israel, e lhes disser: O Deus de vossos pais me enviou a vós; e eles me perguntarem: Qual é o seu nome? Que lhes direi? Respondeu Deus a Moisés: EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos olhos de Israel: EU SOU me enviou a vós. E Deus disse mais a Moisés: Assim dirás aos filhos de Israel: OETERNO, o Deus de vossos pais, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque, e o Deus de Jacó, me enviou a vós; este é o meu nome eternamente, e este é o meu memorial de geração em geração.

Então como será LEMBRADO COMO MEMORIAL (Na memória) de geração em geração? Creia no ETERNO PAI e em seu Filho. CRENDO é porque COMEU e recebeu o que é dele. Se não estará fazendo a CEIA HUMANA com fermento e impurezas. Não se MATE. Creia no PAI e em seu FILHO e descarte as FILOSOFIAS HUMANAS.

O HOMEM é falho e PECADOR. Mas o PAI, o FILHO E O ESPÍRITO SANTO não tem PECADO. Quem OUVE (COME) CEIA o FILHO está OUVINDO o que o PAI mandou. Por isso o FILHOdiz:
[João 12:44] Clamou o Messias, dizendo: Quem crê em mim, crê, não em mim, mas naquele que me enviou. (Ou seja, o ETERNO seu PAI)

Por fim:
[Apocalipse 19:9] E disse-me: Escreve: Bem-aventurados aqueles que são chamados à ceia das bodas do Cordeiro. Disse-me ainda: Estas são as verdadeiras palavras de Deus.

A paz do ETERNO e seu FILHO Jesus Cristo

Deus determina as decisões humanas


O material acima[¹] mostra claramente que Deus planeja, decreta e controla todos os eventos. O mundo anda da forma como Deus deseja. Esse princípio geral é logicamente suficiente para justificar a predestinação. Mas a ênfase sobre um tipo de evento parece psicologicamente necessária. O problema é que algumas pessoas reconhecem que Deus controla os grandes cursos da história e, todavia, ao mesmo tempo falham em entender que isso requer controle das decisões humanas. Essa loucura lógica leva essas pessoas a negar que Deus decreta e causa cada uma das escolhas individuais. Mas a Bíblia não é somente explícita; seus exemplos são inúmeros. Primeiro alguns versículos do Antigo Testamento serão citados:

Deuteronômio 2:30 diz:

Mas Siom, rei de Hesbom, não nos quis deixar passar por sua terra, porquanto o SENHOR teu Deus endurecera o seu espírito, e fizera obstinado o seu coração para to dar na tua mão, como hoje se vê.

Mas espere um minuto! Alguém, lendo os versículos anteriores, pode desejar observar que Deus não causa os eventos ali mencionados, mas que ele meramente permite que aconteçam. Tal consideração ignora a onipotência e soberania de Deus. Ela pressupõe que existe alguma força no universo independente de Deus; sem dúvida Deus pode agir contra essa força, mas ele não o faz; e a força ou agente causa algum evento inteiramente à parte da causação de Deus. Agora, é verdade que Daniel 11:36[²] não diz explicitamente que foi Deus quem determinou o que deveria ser feito. Todavia, quem mais poderia? É verdade também que Isaías não diz explicitamente que Deus faz tudo. Isaías meramente diz que Deus faz tudo o que quer. Assim também, quando Jó 23:13-14 diz que o Senhor cumprirá o que está ordenado a meu respeito, não existe nenhuma afirmação explícita que Deus ordena e cumpre todas as coisas para todo o mundo. Mas como poderia ser diferente, se os versículos forem colocados no argumento geral do seu contexto?

O que perturba certos cristãos é a ideia de que Deus causa eventos maus. Alguns cristãos querem até mesmo negar que alguns bons eventos procedem do poder de Deus. Quando o dr. Billy Graham pregou em Indianápolis, eu fui ouvi-lo. Perto do fim do culto, ele pediu que as pessoas viessem até a frente e uma multidão veio. Com eles diante de si, o evangelista Graham se dirigiu à grande audiência ainda em seus assentos e criticou durante cinco ou dez minutos o Presbiterianismo. Você pode ter orado por eles antes, e isso é bom. Vocês podem orar por eles mais tarde, e isso será bom também. Mas nesse momento exato a oração é inútil, pois nem mesmo Deus pode ajudá-los. Eles devem aceitar a Cristo por seu próprio livre-arbítrio, por si mesmos, e Deus não tem nenhum poder sobre a vontade do homem.

Sem dúvida, isso é Arminianismo completo. Mas a maioria dos cristãos fica mais perturbada com a ideia de Deus causando eventos maus. O primeiro versículo dessa subseção diz explicitamente que Deus endureceu o coração de Siom, rei de Hesbom.

Talvez Faraó devesse ter sido usado para esse ponto. Quando Faraó é mencionado, algumas pessoas admitem relutantemente que a Bíblia diz que Deus endureceu seu coração, mas retornam rapidamente dizendo que a Bíblia também diz que Faraó endureceu seu próprio coração. Isso, contudo, não é muito eficaz como uma resposta. Admitidamente Deus frequentemente age por meio da instrumentalidade humana. A questão importante, portanto, é se Deus é ou não a causa desses instrumentos. Ora, no livro de Êxodo, o endurecimento do coração de Faraó é mencionado dezoito vezes, adicionado a mais um versículo que se aplica aos egípcios em geral. Êxodo 4:21, 7:3, 13; 9:12; 10:1, 20, 27; 11:10; 14:4, 8 dizem, todos eles, que o Senhor endureceu o coração de Faraó. O versículo extra diz que o Senhor endureceu o coração dos egípcios (Êx 14:17). Isso é onze de dezenove vezes. Em Êxodo 7:14, 22; 8:19; 9:7, 35 nenhuma menção explícita de quem endureceu o coração de Faraó é feita. Isso são cinco vezes. Os outros versículos, três em número, 8:15, 32 e 9:34 dizem que Faraó endureceu seu coração. Quem, então, em face de onze declarações de que o Senhor endureceu o coração de Faraó pode negar que Deus é a causa desse endurecimento? Não somente essa declaração é feita três vezes mais, mas ela é feita três vezes antes das outras declarações. Afinal, quem conduzia os assuntos do Egito, Faraó ou Deus? Naturalmente Faraó também endureceu seu próprio coração, pois Deus frequentemente usa a instrumentalidade humana em certas situações. Mas a causa última, original e primeira é Deus.

Ora, após essa digressão sobre o caso paralelo de Faraó, podemos retornar ao caso menos conhecido de Siom, rei de Hesbom, cujo espírito o Senhor tornou obstinado para o propósito de entregá-lo nas mãos de Moisés. Podemos de fato retornar ao versículo, Deuteronômio 2:30, mas dificilmente podemos dizer algo adicional, exceto que não existe nenhuma declaração que Siom endureceu seu coração. A conclusão imediata, portanto, é que o endurecimento do coração humano está dentro do escopo da atividade divina.

Mais tarde, na Bíblia, 1 Samuel 16:14 diz: E o Espírito do SENHOR se retirou de Saul, e atormentava-o um espírito mau da parte do SENHOR. Esse versículo indica que as políticas, vitórias e sucessos anteriores de Saul em unificar Israel tinham sido realizas por meio do Espírito do Senhor. O Espírito Santo tinha lhe dado sabedoria e força. Agora o Espírito Santo deixou a Saul. Nenhuma inquirição será feita agora sobre se Saul tinha sido regenerado e nesse instante “desregenerado”. O Espírito Santo pode habitar com um homem, especialmente um rei de Israel divinamente selecionado, com diversos resultados. O que é claro aqui é que o Senhor enviou um espírito para atormentar ou aterrorizar Saul. Que essa não é uma ocorrência totalmente singular, será visto no próximo versículo.

Em 1 Reis 22:20-23, o autor inspirado escreve: 

E disse o SENHOR: Quem induzirá Acabe, para que suba, e caia em Ramote de Gileade?... Então saiu um espírito, e se apresentou diante do SENHOR, e disse: Eu o induzirei... Eu sairei, e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas. E ele [o Senhor] disse: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás; sai e faze assim.
Essa passagem afirma que o Senhor queria que Acabe atacasse Ramote de Gileade e fosse assassinado ali. O próprio Acabe também queria atacar Ramote, pois esperava capturá-la dos sírios. Todos os falsos profetas, conhecendo o desejo do rei, disseram-lhe o que ele queria ouvir e profetizaram sucesso. Jeosafá, contudo, o rei de Judá, que o acompanharia na batalha, queria uma profecia da parte do Senhor. Micaías, um profeta verdadeiro, mas um homem a quem Acabe odiava, foi encontrado e trazido diante deles. Primeiro Micaías concordou com os falsos profetas – talvez indiferente ou de alguma forma recusando responsabilidade. Sua atitude ficou evidente, pois o rei disse: Até quantas vezes te conjurarei, que não me fales senão a verdade em nome do SENHOR? (v. 16). Sendo posto sob juramento, Micaías predisse a morte de Acabe. Ele disse até mesmo a Acabe que Deus tinha enviado um espírito mau para o incitar à morte. A despeito de tal discurso claro, Acabe atacou Ramote de Gileade e foi assassinado, pois não podia resistir ao espírito de mentira que Deus tinha enviado. Acabe não podia resistir, pois Deus tinha decretado: Tu o induzirás, e ainda prevalecerás. Na sequência Deus dirigiu uma flecha atirada a esmo até a abertura nas juntas da armadura de Acabe, e ele morreu. Agora, observe, foi tão fácil para Deus controlar a decisão de Acabe quanto controlar a flecha sem rumo.

É muito provável que algumas pessoas, lendo tudo isso, negarão que a Bíblia diz tais coisas; ou elas podem, após checar na Bíblia para ver que as citações feitas aqui são exatas, reclamar que essas considerações dão uma visão unilateral e, portanto, distorcida do que Deus faz.

O primeiro grupo de pessoas são aqueles que pensam que porque eles são cristãos (de algum tipo), tudo no que eles creem deve ser doutrina cristã sadia simplesmente porque creem nela. Eles creem, por qual razão é difícil dizer, que Deus não é a causa primeira e última de todas as coisas porque ele simplesmente não pode ser a causa do mal. Esse ponto de vista é, sem dúvida, absolutamente anticristão. A Bíblia o contradiz de capa a capa; e a profissão de fé deles não é razão para supor que suas crenças são bíblicas.

O segundo grupo de pessoas são mais bem informadas. Eles têm lido a Bíblia e pelo menos admitem relutantemente que Deus é causa de todas as coisas. Mas eles se queixam que o material aqui coberto é unilateral e, portanto, constitui uma distorção da posição bíblica. Essa queixa tem de fato certo mérito inicial. É verdade que o material desse capítulo é unilateral. Se ele é, portanto, uma distorção ou não, é outra questão. Sempre que qualquer livro começa a explicar determinado assunto, seu argumento inicial deve ser unilateral, pela simples razão de que todos os lados não podem ser impressos na mesma página. O lado que foi mencionado nas últimas páginas é o lado que mais precisa ser enfatizado. Nenhum grupo de pessoas notável que creem em Deus negam que Deus causa os eventos bons, mesmo que alguns neguem que ele cause todos os eventos bons. 

O mau entendimento popular e abrangente da Bíblia consiste em negar que Deus causa eventos maus. Portanto, esse fato deve ser primeiro estabelecido por vários exemplos a partir de todas as partes da Escritura. O assunto não terminará aqui. Se o relato da predestinação parasse aqui, alguém poderia dizer corretamente que o mesmo é não somente unilateral, mas distorcido. O objeto culminante e mais imediato da predestinação é a salvação dos crentes. A fé é o dom de Deus, e Deus escolhe, elege ou predestina aqueles a quem ele dará fé. Essa ideia, e seus concomitantes, não será omitida dessa explicação da predestinação. E então será visto que o todo não é tão unilateral, afinal de contas. Todavia, para que o lado feliz seja propriamente entendido e não concebido erroneamente num pano de fundo não-bíblico, a presente série de versículos deve continuar um pouco mais. O objetivo é mostrar que Deus causa todas as coisas – todas as coisas más e todas as coisas boas.

O próximo versículo é 2 Crônicas 25:16, que diz: Então parou o profeta, e disse: Bem vejo eu que já Deus deliberou destruir-te. O profeta tinha acabado de repreender o Rei Amazias por sua idolatria. O rei disse que tinha ouvido o suficiente, e se o profeta não quisesse ser espancado, deveria se calar. Assim, o profeta terminou seu discurso com a declaração: Bem vejo eu que já Deus deliberou destruir-te.

A ocorrência seguinte da atividade determinadora e causativa de Deus não é necessariamente uma causação do mal. É uma coletânea de eventos, alguns dos quais podem ser maus e alguns bons. O versículo é Jó 14:5, que diz: Visto que os seus dias estão determinados, contigo está o número dos seus meses; e tu lhe puseste limites, e não passará além deles. Esse versículo refere-se ao tempo de vida de toda pessoa. O homem, nascido da mulher, é de poucos dias... Quanto tempo um homem vive, o número de seus meses, é decidido por Deus. Se Deus tivesse decidido que Moisés ou Joe Doaks deveriam viver cinquenta e cinco anos, três meses e onze dias, é assim que teria sido. Essa teria sido a fronteira ou o limite além do qual eles não poderiam passar.

Após Jó vem Salmos, e Salmos 105:25 diz: Virou o coração deles para que odiassem o seu povo, para que tratassem astutamente aos seus servos.

Essa é uma reiteração do que foi encontrado em Êxodo, e nos traz de volta ao título dessa subseção. A subseção tem sido aspirada pelo menos em dois pontos levemente diferentes. O principal é que Deus determina as escolhas que os homens fazem. Mas visto que os homens frequentemente fazem escolhas más, alguma atenção tem sido dada ao fato que Deus causa o mal. Aqui, a coisa má é uma escolha humana. O salmista está se referindo aos egípcios a quem o Senhor, anos após a morte de José, fez odiar os israelitas. Odiar é um estado mental, uma escolha, possivelmente uma emoção. Ele não é meramente, principalmente, ou nem mesmo de forma alguma uma ação visível. Pode resultar em ações visíveis, mas o ódio em si é inteiramente mental. Essa mentalidade é o que Deus causou nos egípcios. Deus fê-los pensar dessa forma. O versículo diz claramente que Deus virou o coração deles para odiar o seu povo.

Embora o mal e o ódio tenham recebido certa ênfase nessa discussão, pois isso é o que muitas pessoas perdem quando leem a Bíblia, Deus também causa decisões boas, inclusive tornando o ódio em favor. Pois o SENHOR deu ao povo graça aos olhos dos egípcios, e estes lhe davam o que pediam; e despojaram aos egípcios (Êx 12:36). Aqui Deus alterou e reconstruiu completamente a atitude mental dos egípcios. Obviamente, ele controla o que as pessoas pensam.

O próximo versículo tem um pouco de embaraço que não precisa ser solucionado agora, pois um dos pontos permanece não afetado. Provérbios 16:1 diz: Do homem são as preparações do coração, mas do SENHOR a resposta da língua. A American Version, as traduções francesas e alemães traduzem assim:

Os planos do coração pertencem ao homem; mas a resposta da língua é do SENHOR.

À primeira vista, a tradução King James faz excelente sentido, e encaixa-se perfeitamente com o curso do argumento presente. Assim, o versículo significaria que o Senhor controla tanto o que um homem pensa, como o que ele diz. Contudo, porque existe uma questão sobre a tradução, não seria sábio selecionar uma que é alternativa simplesmente porque se encaixa com o argumento presente tão bem. O argumento presente é tão abundantemente reforçado que não precisa de um apoio duvidoso. A outra tradução poderia dizer que, a despeito do que um homem pensa por si só, Deus controla as palavras que ele fala; ele pode pretender negar um pedido de empréstimo, mas precisa expressá-lo em palavras. Isso sem dúvida não pode ser o que o versículo significa. Mas seja qual for o significado completo, a ideia inclusa é que Deus controla o que um homem diz.

O próximo versículo novamente não é especificamente um caso de mal, mas indica circunstâncias boas e más. Ela é, contudo, uma afirmação específica que Deus controla os pensamentos dos homens. Provérbios 21:1 diz: Como ribeiros de águas assim é o coração do rei na mão do SENHOR, que o inclina a todo o seu querer. Esse versículo declara o princípio geral, e um exemplo particular é encontrado em Esdras 7:6: Segundo a mão do SENHOR seu Deus, que estava sobre ele [Esdras], o rei [da Pérsia] lhe deu tudo quanto lhe pedira. Deus controla todas as políticas e decisões governamentais. Não somente Deus fez Faraó odiar os israelitas, mas fez com que Ciro enviasse os cativos de volta para reconstruir Jerusalém. Ele também fez com que Hitler marchasse para Rússia e fez com que Johnson expandisse uma guerra no Vietnã. Deus muda a mente de um governador da forma como quer. Se agora temos hesitado em dizer que Provérbios 16:1 afirma que Deus controla os pensamentos, bem como o discurso de um homem, Provérbios 21:1 o diz claramente. Deus controla os pensamentos, planos e decisões dos homens.

A seguir vem Isaías 19:17, que diz: E a terra de Judá será um espanto para o Egito... por causa do propósito do SENHOR dos Exércitos, que determinou contra eles. Não há nada particularmente novo nesse versículo; é apenas mais um que atribui a Deus a determinação de trazer tribulações a uma nação. Jeremias 13:13-14 é similar, porém mais completo: 

Mas tu dize-lhes: Assim diz o SENHOR: Eis que eu encherei de embriaguez a todos os habitantes desta terra, e aos reis da estirpe de Davi, que estão assentados sobre o seu trono, e aos sacerdotes, e aos profetas, e a todos os habitantes. E fá-los-ei em pedaços atirando uns contra os outros, e juntamente os pais com os filhos, diz o SENHOR; não perdoarei, nem pouparei, nem terei deles compaixão, para que não os destrua.

Aqui a destruição determinada não é dirigida contra uma nação meramente mencionada por nome e em geral, mas especificamente contra indivíduos. Deus encherá essas pessoas com embriaguez e as atirará umas contras as outras.

Para concluir essa série de versículos no Antigo Testamento, é apropriado citar Lamentações 3:38: Porventura da boca do Altíssimo não sai tanto o mal como o bem?. Aqui Jeremias confronta o objetor que pensa que Deus envia somente o bem, e não o mal. Esse é um equívoco fundamental sobre a natureza e a atividade divina. Deus é a causa original de todas as coisas. De sua boca procede tanto o bem como o mal.

Agora é hora de nos voltarmos para o Novo Testamento, e uma vez mais uma série de versículos serão selecionados, começando em Mateus e indo até o fim. Com a exceção do primeiro versículo, todos eles conterão a palavra e a ideia de determinação. O primeiro versículo contém a ideia, mas não a palavra em si.

Em Mateus 26:53-54 lemos:

Ou pensas tu que eu não poderia agora orar a meu Pai, e que ele não me daria mais de doze legiões de anjos? Como, pois, se cumpririam as Escrituras, que dizem que assim convém que aconteça?

Assim convém que aconteça são as palavras importantes. Jesus tinha sido traído. Pedro, assim aprendemos de João, desembainhou sua espada e tirou a orelha de um servo. Então, Jesus repreendeu Pedro e lhe disse que ele, Jesus, poderia reunir doze legiões de anjos; mas se ele o fizesse, como se cumpririam as Escrituras, que diziam que assim convinha acontecer? A palavra assim inclui a traição de Judas, a prisão e, por implicação, os julgamentos e a crucificação. Essas coisas tinham que ser da forma como ocorreram.

Deveríamos pensar cuidadosamente sobre as implicações da profecia com referência à extensão da atividade causativa de Deus. Não é apenas o ato profetizado em sua individualidade que é fixado e determinado pelo decreto de Deus. Todos os detalhes que precedem o evento e tornam-no possível e real devem ser inclusos, pois de outra forma o evento não aconteceria. Judas foi escolhido para seu papel repreensível, mas em antecipação os pais de Judas tiveram que ser escolhidos. Alguém pensa que Deus poderia ter escolhido Judas e ter profetizado que assim convém que aconteça, sem saber quem seriam os pais de Judas? Se assim convém que aconteça, então estava determinado que o sumo sacerdote deveria empregar um certo homem como servo e enviá-lo à noite. O homem não poderia ter ficado doente à tarde e ter ido para a cama, pois assim convinha que acontecesse. Ao mesmo tempo, Jesus censurou os oficiais. Por que eles vieram até ele de noite, com um traidor? Eles não poderiam tê-lo arrastado de dia, quando ele estava ensinando abertamente no templo? Isso certamente indica o caráter covarde dos sacerdotes, e de fato eles eram covardes e os oficiais vieram à noite, mas tudo isto aconteceu para que se cumprisse o que foi dito pelo profeta.

Todos os seis versículos seguintes contêm, pelo menos no grego, a palavra determinar. Cada um deles indica algum aspecto da determinação de Deus.

Lucas 22:22 diz: E, na verdade, o Filho do homem vai segundo o que está determinado; mas ai daquele homem por quem é traído!. Esse versículo é a predição de Cristo, enquanto ainda sentado na mesa no cenáculo, de que Judas estava a ponto de traí-lo. Deve ser notado o fato que o que estava prestes a acontecer tinha sido determinado. Não foi Judas quem determinou o que aconteceria dentre em breve. Judas, sem dúvida, intentou trair a Cristo, mas ele poderia ter fracassado. Não foi ele quem controlou todas as circunstâncias. Somente Deus pode determinar o futuro. Deus determinou como o Filho do homem deveria morrer.

Similarmente, o próximo versículo, Atos 2:45, diz: A este que vos foi entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, prendestes, crucificastes e matastes pelas mãos de injustos.

O versículo é similar em pensamento, porém mais explícito. No versículo precedente foi necessário concluir que o poder determinativo era Deus eliminando todas as outras possibilidades. Aqui, não somente Deus é explicitamente mencionado, mas é adicionada ênfase nas palavras determinado conselho e presciência. Isso indica planejamento deliberado.

Assim como esse evento (a morte de Cristo) foi determinado, assim também todo evento é preordenado, pois Deus é onisciente; e nenhum detalhe, nem mesmo o número de cabelos na cabeça de alguém, escapa da sua presciência e conselho deliberado. Todas as coisas são parte do seu plano. De tudo Deus diz: Assim convém que aconteça.

Talvez o versículo mais explícito e enfático nessas linhas seja Atos 4:28. Em Atos 4:27-28, lemos: Porque verdadeiramente contra o teu santo Filho Jesus, que tu ungiste, se ajuntaram, não só Herodes, mas Pôncio Pilatos, com os gentios e os povos de Israel; Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.

Observe a quantidade de detalhes particulares nessa passagem. O contexto dos dois versículos é uma oração espontânea de um grupo de crentes a quem Pedro e João tinham reportado a experiência deles com os saduceus. O povo agradeceu a Deus pelo livramento dos apóstolos. Eles glorificaram a Deus como criador. Reconheceram que ele falou por meio de Davi com respeito à inimizade dos pagãos contra Deus. E eles particularizaram esses inimigos na recente crucificação de Cristo. Porque verdadeiramente, eles disseram em sua oração, nesta cidade (uma frase omitida na versão King James), contra teu santo servo Jesus (servo, e não filho, em referência a Isaías 42:1, 43:10, 52:13, e versículos similares), a quem tu ungiste e separaste para um propósito específico, Herodes e Pôncio Pilatos se ajuntaram com os gentios e o povo de Israel para fazerem tudo o que tua mão e o teu conselho preordenaram que acontecesse. Aqui é dito na palavra tudo o que que Deus preordenou ou predeterminou a crucificação de Cristo com todas as suas circunstâncias relacionadas. Circunstâncias explicitamente mencionadas são os dois homens, Herodes e Pilatos. Ninguém pode supor que Deus, desde toda a eternidade, preordenou que a crucificação acontecesse numa certa data – a plenitude dos tempos, não quando sua hora não tinha chegado ainda (João 7:30, 8:20), mas somente quando sua hora tivesse chegado (João 13:1, 17:1) – e então esperou que alguém levasse Cristo à crucificação. Muito pelo contrário, Herodes e Pilatos estavam individualmente inclusos no plano eterno; e porque eles estavam assim preordenados, os mesmos se ajuntaram para fazer o que Deus tinha decidido de antemão. A palavra é preordenado ou predeterminado. Aqueles que dizem que Deus não preordena eventos maus não devem agora abaixar suas cabeças com vergonha? A ideia de que um homem pode decidir o que ele fará, assim como Pilatos decidiu o que faria com Jesus, sem essa decisão ser eternamente controlada e determinada por Deus, não faz sentido com o ensino de toda a Bíblia.

Versículos suficientes foram citados, mas para tornar o caso ainda mais massivo, uns poucos versículos de menor importância serão adicionados. Atos 10:42 dá outro exemplo da decisão determinativa de Deus. O versículo diz: E nos mandou pregar ao povo, e testificar que ele é o que por Deus foi constituído [“ordenado”, na versão do autor] juiz dos vivos e dos mortos”.

O versículo seguinte é Atos 17:24-26, que diz: O Deus que fez o mundo e tudo que nele há, sendo Senhor do céu e da terra... determinando-lhes os tempos já dantes ordenados e os limites da sua habitação. Uma pessoa fica ainda mais impressionada pela força desse versículo, se tiver estudado as viagens do povo. A maioria dos estudantes universitários sabe sobre as invasões da Ásia que varreu a Europa por voltar dos séculos sete e oito. Eles podem relembrar também as invasões bárbaras durante as quais Roma foi saqueada, em 410 d.C. Mais tardes os normânios invadiram a França, e os anglos invadiram a Inglaterra. Deve ser dito também que os habitantes da França ou Gália emigraram para a Galácia. E por que os camponeses lituanos podem entender sentenças simples na língua sânscrita? Embora possa tomar um cuidadoso estudo e uma longa pesquisa traçar os caminhos dessas migrações e assim fixar suas datas, a causa delas, na data, no limite geográfico, e nas decisões humanas que iniciam esses movimentos, é o decreto de Deus. É Deus quem decide que pessoas devem mudar, quando deverão mudar e precisamente onde escolheram parar de mudar.

Que esses versículos sejam suficiente por ora!



NOTAS:

1. Nota do tradutor: Subseção 1 (Deus Planeja e Age) do capítulo 3 (O Decreto Eterno e Sua Execução) do livro Predestination.

2. “E este rei fará conforme a sua vontade, e levantar-se-á, e engrandecer-se-á sobre todo deus; e contra o Deus dos deuses falará coisas espantosas, e será próspero, até que a ira se complete; porque aquilo que está determinado será feito”.

Autor: Gordon Clark
Fonte: Biblical Predestination, p. 53-65.
Via: Monergismo